29/05/2012

ATROFIA PROGRESSIVA DE RETINA (APR) EM CÃES

     A APR é uma doença degenerativa hereditária que acomete os dois olhos e leva à cegueira. As raças mais acometidas são os Cocker spaniel ingleses e americanos, Poodles miniaturas e Labradores retrievers. Mas é importante lembrar que qualquer raça pode ter esta doença, até os nossos queridos "vira-latas". A idade com que apresentam os primeiros sinais clínicos da doença variam com a raça, mas é geralmente até os 5 anos de idade. Infelizmente é uma doença que não tem cura ou controle, mas é muito importante o diagnóstico correto para que os animais afetados sejam retirados da reprodução.



    No início da doença ocorre perda da percepção visual noturna pela displasia precoce dos bastonetes (nictalopia) e em seguida a perda da visão diurna pela degeneração dos cones (hemeralopia). Algumas vezes os animais afetados têm dificuldade de ver objetos em movimento. A partir do momento em que a doença é diagnosticada é muito difícil determinar quanto tempo levará para o cão ficar totalmente cego. Em geral, quanto mais jovem, mais rápida parece ser a progressão.




Normalmente os sinais de cegueira são percebidos somente quando há uma mudança na rotina da família ou de ambiente.  Os cães compensam muito com a audição e o olfato. Por isso, os cães se orientam muito bem, mesmo quando estão enxergando muito pouco. Mas acidentes podem acontecer, sendo importante fazer um check up oftalmológico sempre que houver a desconfiança de algum déficit visual. Somente com o exame do fundo do olho e/ou com a eletrorretinografia (exame do potencial elétrico da retina) a atrofia progressiva de retina pode ser diagnosticada.


Nos casos onde já houve uma perda visual importante alguns cuidados devem ser tomados: andar sempre com o seu cão na guia, não deixar livre acesso à piscina, escadas e rua. E nunca é demais relembrar: NÃO  reproduza estes animais. As chances de ter filhotes com a mesma doença são altíssimas.


 

16 comentários:

Jessica disse...

Boa noite doutora, encontrei seu site procurando um oftalmologista aqui em Salvador pela internet. Estou desesperada, meu filhote, um shihtzu de 7 anos ta com uma ulcera na cornea, o veterinario passou 4 colirios, ciprovet, tobramax, tears e epitezan, que sao revezados durante todo o dia, a cada meia hora preciso pingar uma gota, de algum deles, acontece que no lugar de melhorar, eu to achando que ta piorando, e realmente 3 dias depois tive la e ele disse que tinha aumentado, mas disse que era pra continuar com os colirios por mais 5 dias e se n tivesse melhor precisaria de cirurgia! To desesperada com medo dele ficar cego!! Preciso que um especialista examine ele mas n conheço e n to achando nenhum aqui! Vc pode me indicar algum especialista aqui em Salvador??? Desde ja agradeço sua ajuda!

Oftalmologia Animal disse...

Boa noite,

Em Salvador procure o Dr Paulo Oliveira (povet@bol.com.br)
Fone (71) 3331.3942/ 9102.6218


Um abraço e boa sorte!

Fabiana Quartiero

Jessica disse...

Obrigada! :)

Jessica disse...

Boa noite doutora! Voltei para agradecer a ajuda! Levei meu filhote para Dr Paulo que operou ele no mesmo dia (ontem). Ele está otimo! Ja brinca e amanhã vai voltar pra revisão e possivel retirada dos pontos!
Fiquei desesperada na segunda, o medico que estava atendendo ele disse que ele estava com principio de glaucoma e passou mais 2 colirios dizendo que se ele n melhorasse ia ter que TIRAR O OLHO! Quando levei no Dr Paulo ele viu que n tinha glaucoma nenhum, o medico ia tirar o olho do meu cachorro sem necessidade!
Por isso agradeço imensamente a sua ajuda! Sei que sua vida deve ser muito corrida, obrigada por ter esse cantinho para ajudar a gente, leigos no assunto! Bjos e obrigada mais uma vez!

Oftalmologia Animal disse...

Boa noite Jéssica,

Fico muito, mas muito feliz mesmo que o seu filhote foi atendido e que está tudo bem!

Um abraço!!!

Fabiana Quartiero

André disse...

Olá Drª
Tenho cachorro de 11 anos, a mãe era fox paulistinha e o pai yorkshire, fiquei sabendo essa semana que ele tem uma doença degenerativa nos olhos, e está com uma infecção no momento, estou tratando com eptezam e vitamina A e D via oral, o veterinário aplicou um antibiotióco, estou com muito medo de que ele esteja sofrendo, quero saber se essas doenças causam dor, se ele corre o risco de preder o olho, a visão eu sei que ele perderá, tem mais algum tratamento que pode ser associado? Parece que o olho dele está afundando, fico desesperada, por favor me ajude. Desde já agradeço Fábima

Anônimo disse...

Olá. Meu cãozinho (um shar pei de 7 meses) está com a glândula da terceira pálpebra exposta, no olho direito. A veterinária receitou a pomada Keravit. Gostaria de saber se somente o uso desse medicamento basta para a glândula regredir ou poderia colocar outro colírio (como o tobrex, por exemplo). Ou devo optar pela cirurgia o quanto antes?

Obrigada, esse blog é ótimo, tiro muitas dúvidas aqui!

Nathalia

Oftalmologia Animal disse...

Boa tarde Nathália,

A única forma de reposicionar a glândula da terceira pálpebra é fazendo uma microcirurgia. Mas utilizar a pomada ou um colírio antiinflamatório antes é importante para facilictar o procedimento.

Procure um oftalmologista veterinário.
Um abraço e boa sorte

Fabiana Quartiero

Thayse disse...

Infelizmente hoje recebi o diagnóstico de APR na minha cachorra Libi, um labrador de 6 anos...os sintomas são exatamente esses que constam no site.

Oftalmologia Animal disse...

Boa noite Thayse,

Não esqueça que a sua garota pode ser muito feliz mesmo com esta limitação...ela tem olfato e audição extraordinários! Só precisa do seu carinho e atenção!

Um abraço!

Fabiana Quartiero

Anônimo disse...

Ola, recebi o diagnostico de uma doença que me passaram como sendo doença de sards, mas agora meu cãozinho, um yorkshire de 8 anos esta totalmente cego, batendo nas paredes, etc... esta alegre, continua brincando, comendo bem e feliz, mas ele tem tido um comportamento diferente do que leio na internet, ele esta parecendo mais surdo e com o olfato ruim, não esta melhor... será que eh a adaptação mesmo?? não encontrei nada que explique isso, mas percebo ele mais "lerdinho" com as coisas, com os cheiros... isso aconteceu ha um mês e meio (quando diagnosticaram a doença). Ai pediram outros exames para vermos a questão hormonal dele, que a medica achou que ele poderia ter mais desdobramentos, mas o exame deu inconclusivo... tenho receio dele ter mais problemas, eu achei que a cegueira desenvolveria mais o olfato e a audição, mas na verdade parece estar piorando, eh normal esta adaptação, quanto tempo leva? porque quando ele começou a ficar ruim e ate mesmo quando percebemos que cegou de vez ele se orientava bem na casa, no prédio, não mudamos nada para manter a qualidade de vida dele.... agradeço seus comentários e parabéns pelo belo trabalho.

Oftalmologia Animal disse...

Bom dia, A SARD é uma doença degenerativa da retina que infelizmente leva a cegueira e não tem tratamento. Se ele for um cão idoso pode estar perdendo o olfato e a audição por um processo de envelhecimento mesmo. Aí vocês vão ter que ajudá-lo nesta adaptação. A adaptação depende de cada cão, mas só o fato dele estar brincando e feliz já demonstra que está se adaptando, mesmo que trombe nas coisas. Se vocês acham que ele pode ter outra doença consulte um endocrinologista, pois algumas doenças de fundo hormonal podem levar à SARD. Um abraço e boa sorte,

Fabiana Quartiero

Andreiia Kotz disse...

Boa noite Doutora, gostaria de tirar uma dúvida, estou pesquisando sobre a cegueira noturna estacionária congênita, e preciso saber como ocorre essa doença, geneticamente o que acontece? o porque acontece? Não consigo achar nada tão explicador, você pode me ajudar?
Dês de já muito obrigado.

Oftalmologia Animal disse...

Boa noite Andréiia,

Esta doença ocorre em humanos, ainda não há relatos em animais...

Mas posso lhe dizer que por ser congênita (de nascença) a nictalopia (cegueira noturna) inicia na infância. Ao exame clínico o fundo de olho pode estar com aparência normal ou anormal. Nas manifestações com fundo normal o diagnóstico é realizado somente por eletrorretinografia.
Quando há alteração no fundo do olho geralmente é a manifestação da doença de Oguchi que é uma forma incomum de CNCE descrita inicialmente por Chuta Oguchi em 1907. Quase que exclusividade do Japão e da Ilha Formosa, onde já foram relatados aproximadamente 140 casos, praticamente não é encontrada no hemisfério ocidental, com algo ao redor de 30 casos relatados(3-4). Como entidade clínica, podemos considerá-la avis rara da patologia oftalmológica.

De caráter hereditário autossômico recessivo, a doença aparece acompanhada de história de consangüinidade em aproximadamente 62% dos casos. Uma mutação no cromossomo 2q, resultante da deleção da molécula de adenina do nucleotídeo 1147 (1147 delA) no códon 309 do gene responsável pela codificação da proteína arrestina é causa freqüente da doença em pacientes de origem japonesa. Nos pacientes de ascendência européia, mais recentemente descoberta, a mutação parece decorrer de uma deleção do "exon" 5, no cromossomo 13q, responsável pela codificação da enzima rodopsino-quinase(11-14). Ambas as formas acarretam a codificação de arrestina ou rodopsino-quinase aberrantes que, por suas vezes, falham em desativar a rodopsina para frear a cascata enzimática da foto-transdução, o que foi identificada como causa primária da doença de Oguchi. Por conseguinte, o acúmulo de rodopsina dessensibiliza os bastonetes que só passam a reagir sob limiares maiores. Até que toda a rodopsina seja desativada e "regenerada", num período de 2 a 4 horas, o portador desta doença fica insensível à luz escotópicas, enquanto que no indivíduo normal esta latência é de apenas 10 a 20 minutos.A função dos bastonetes ficam ausentes após 30 minutos de adaptação ao escuro, mas se recuperam até um nivel quase normal após longo período de adaptação ao escuro.

FONTE
Goulart, D. G., Myai, C., Atique, D., Takahashi, W. Y., & Aihara, T. (2002). Doença de Oguchi: relato de caso e revisão bibliográfica. Arq Bras Oftalmol, 65, 669-73. (http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0004-27492002000600014&script=sci_arttext&tlng=ES)

Espero ter ajudado. Um abraço e boa sorte.

Fabiana Quartiero

Álvaro Vicente disse...

Nosso veterinário (ex veterinário) nos induziu a fazer uma extração de dentes de leite em nossa cachorrinha. Recusamos na primeira vez mas na segunda ele conseguiu nos convencer. O resultado foi o seguinte, ela tinha saúde perfeita e era muito feliz.. Nos fazia companhia e alegrava nossa casa mas aconteceu um erro no procedimento cirúrgico (provavelmente na anestesia). Agora, depois de travar uma batalha pela vida (já que seus rins estava parando de funcionar) ela voltará para casa “cega”. Ela só tem 7 meses (uma criança ainda). Agora nossa casa é só tristeza. É comum ver minha esposa e minha filha chorando pela da casa. Gostaria que alguém postasse algo em que eu pudesse me apoiar e tentar ajudar de alguma forma mas não sei se o quadro é reversível. Já procurei material na internet sobre esse assunto mas não encontrei. Escrevi esse texto de madrugada pois não tenho sono devido a preocupação e a imagem mais forte que tenho nesse momento é a caminha dela com os brinquedinhos que ela não vai mais ver. Momento de muita dor no peito. Se tudo der certo ela volta pra casa amanhã e vamos cuidar mais ainda dela pois nosso amor é maior que qualquer coisa.

Oftalmologia Animal disse...

Caro Álvaro,

Como mãe de um menino, três cães e uma gata, entendo e compartilho da sua dor e preocupação!
Sábado vamos fazer uma avaliação e conseguir definir a melhor solução para sua filhota.

Um abraço,

Fabiana Quartiero