14/07/2010

EMERGÊNCIA OFTALMOLÓGICA: DESCEMETOCELE

Em casos de úlceras de córnea profundas (veja mais no post: doenças oftalmológicas-úlcera de córnea-constituição da córnea), onde o estroma (segunda camada da córnea) é completamente destruído, a membrana de Descemet (penúltima camada da córnea) se projeta para fora a fim de tamponar a lesão. Assim ocorre a descemetocele, que nada mais é do que uma defesa da córnea para tentar evitar um quadro de perfuração ocular. Por isso que a descemetocele é considerada uma emergência cirúrgica.

As fotos abaixo são do Pierre, um Shih Tzu de 4 anos. Ele chegou apresentando um quadro de descemetocele no centro da córnea, com edema difuso (córnea sem trasparência, toda azulada) e vascularização corneana (Figura 1 e 2). O proprietário relatou que há 10 dias vinha apresentando "coceira" neste olho e "piscava" muito. Notou também que havia secreção, o olho estava vermelho, "irritado" e que o Pierre estava muito "chateado". Estava usando uma pomada antibiótica a cada 12 horas. Foi realizado um flap de conjuntiva bulbar em 360° (Figura 3) e prescrito tratamento tópico intensivo, com colírios antibióticos fortes (quinolonas), inibidores de colagenase, lubrificantes e anti-inflamatórios não esteroidais.

Na sequencia: Figura 1, Figura 2 e Figura 3

Após 3 semanas o flap foi removido e a lesão estava cicatrizada. Note a aderência da conjuntiva no local onde a membrana de Descemet estava exposta (Figura 4).

Na sequencia: Figura 4, Figura 5 e Figura 6


Após a retirada do Flap foi iniciado um tratamento a base de colírios anti-inflamatórios corticóides. Em 15 dias a córnea já estava transparente, apenas com um leucoma central (opacidade ocasionada pela cicatriz) (Figura 5 e 6). O Pierre atualmente consegue enxergar sem problemas.


OBS: " Quando o estroma corneano é destruído, o reparo é realizado por ceratócitos fixos e fibroblastos. As fibrilas colágenas produzidas por estas células não se organizam de forma regular e interferem na passagem da luz. Com o tempo as cicatrizes podem clarear, mas quase sempre este clareamenro é incompleto. A tendência ao clareamento é maior em animais jovens e ocorre mais em bovinos, ovinos e felinos do que em caninos e equinos" ( Fonte: SLATTER, 2005).