30/12/2010

Cão com um olho de cada cor?


Quando os cães apresentam um olho de cada cor, e até mesmo duas cores no mesmo olho, estamos diante de uma alteração congênita (de nascença)
chamada de heterocromia de íris.
A heterocromia de íris pode ser total (um olho de cada cor), radial (uma cor contorna a borda externa da íris e outra contorna a pupila), e fragmentada (manchas mais escuras se espalhando pela íris de um ou ambos os olhos).
Essas alterações podem ocorrer com mais frequência em cães de pelagem branca ou com albinismo parcial ou ainda com a pelagem Merle (cão da foto).
A pelagem Merle ocorre devido a presença do gene Merle, que dilui a coloração da pelagem preta em tons de cinza e também pode produzir olhos azuis. Este gene é mais encontrado em raças como: Pastor Australiano, Collie, Dogue Alemão, Bulldog Inglês, Dachshund de pêlo longo, Dálmata, Malamute, Husky Siberiano, Old English Sheepdog, Boxer e Weimaraner.
Em geral a heterocromia de íris não está relacionada com cegueira, a não ser em raros casos onde ocorre a Síndrome do Gene Merle, que ocasiona malformações oftálmicas e também alterações nos ouvidos levando à surdez. Esta síndrome já foi relatada em cães da raça Dálmata.
**** Veja a entrevista completa na revista Cães & Cia n. 376, p.28. setembro/2010

14/07/2010

EMERGÊNCIA OFTALMOLÓGICA: DESCEMETOCELE

Em casos de úlceras de córnea profundas (veja mais no post: doenças oftalmológicas-úlcera de córnea-constituição da córnea), onde o estroma (segunda camada da córnea) é completamente destruído, a membrana de Descemet (penúltima camada da córnea) se projeta para fora a fim de tamponar a lesão. Assim ocorre a descemetocele, que nada mais é do que uma defesa da córnea para tentar evitar um quadro de perfuração ocular. Por isso que a descemetocele é considerada uma emergência cirúrgica.

As fotos abaixo são do Pierre, um Shih Tzu de 4 anos. Ele chegou apresentando um quadro de descemetocele no centro da córnea, com edema difuso (córnea sem trasparência, toda azulada) e vascularização corneana (Figura 1 e 2). O proprietário relatou que há 10 dias vinha apresentando "coceira" neste olho e "piscava" muito. Notou também que havia secreção, o olho estava vermelho, "irritado" e que o Pierre estava muito "chateado". Estava usando uma pomada antibiótica a cada 12 horas. Foi realizado um flap de conjuntiva bulbar em 360° (Figura 3) e prescrito tratamento tópico intensivo, com colírios antibióticos fortes (quinolonas), inibidores de colagenase, lubrificantes e anti-inflamatórios não esteroidais.

Na sequencia: Figura 1, Figura 2 e Figura 3

Após 3 semanas o flap foi removido e a lesão estava cicatrizada. Note a aderência da conjuntiva no local onde a membrana de Descemet estava exposta (Figura 4).

Na sequencia: Figura 4, Figura 5 e Figura 6


Após a retirada do Flap foi iniciado um tratamento a base de colírios anti-inflamatórios corticóides. Em 15 dias a córnea já estava transparente, apenas com um leucoma central (opacidade ocasionada pela cicatriz) (Figura 5 e 6). O Pierre atualmente consegue enxergar sem problemas.


OBS: " Quando o estroma corneano é destruído, o reparo é realizado por ceratócitos fixos e fibroblastos. As fibrilas colágenas produzidas por estas células não se organizam de forma regular e interferem na passagem da luz. Com o tempo as cicatrizes podem clarear, mas quase sempre este clareamenro é incompleto. A tendência ao clareamento é maior em animais jovens e ocorre mais em bovinos, ovinos e felinos do que em caninos e equinos" ( Fonte: SLATTER, 2005).